O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificou um novo sítio arqueológico no município de Urucurituba, no Amazonas. A área fica na antiga sede municipal, na Vila Augusto Montenegro. A descoberta ocorreu nesta quarta-feira (12), durante ações de fiscalização e monitoramento realizadas pela autarquia em razão dos achados revelados nas secas de 2023 e 2024.

Os vestígios haviam sido inicialmente comunicados ao Iphan pelo secretário municipal de Cultura, Maick Soares, e, posteriormente, incluídos no Plano Anual de Fiscalização do órgão. Durante a vistoria, a equipe técnica constatou a presença de um grande sítio arqueológico pré-colonial, associado à chamada terra preta — um tipo de solo fértil formado por antigas ocupações humanas na Amazônia.

De acordo com o arqueólogo Marco Túlio Amaral, responsável pela vistoria, o local apresenta uma extensa camada de fragmentos cerâmicos, que se estende por aproximadamente um quilômetro. Também foram identificados materiais ósseos humanos e vestígios de fauna aquática, como vértebras compatíveis com as de botos.

“Esse é um sítio arqueológico de grande relevância científica. As evidências indicam uma ocupação antiga e possivelmente áreas de sepultamento humano em subsuperfície. Trata-se de um sítio profundo, associado a camadas de terra preta, o que reforça a importância de sua preservação e estudo”, afirmou o arqueólogo.

O sítio de Urucurituba ainda não constava no banco de dados oficial do Iphan, o que reforça a relevância da identificação como uma nova referência para a arqueologia no estado. Os materiais encontrados serão registrados e analisados, subsidiando futuras ações de pesquisa, proteção e salvaguarda.

A superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, também destacou a importância da descoberta.

“O Amazonas tem um território imenso e uma arqueologia riquíssima, que continua sendo revelada, especialmente em períodos de seca. Nosso trabalho é garantir que esses vestígios sejam protegidos e compreendidos como parte da nossa história e cultura”, disse.

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