O vereador Ney Nobre (MDB), de Itacoatiara (AM), voltou a gerar polêmica após aparecer em um vídeo sem camisa, segurando uma lata de cerveja, ao lado de um homem que gravou a cena. No material, ambos fazem comentários em tom de deboche e ameaça contra portais de notícias do município, e Ney Nobre diz que irá armado à Câmara.

O vídeo, gravado no domingo (19), repercutiu nesta segunda-feira (20), exatamente uma semana após a Câmara Municipal arquivar o pedido de cassação do parlamentar.

Na gravação, o homem que acompanha o vereador inicia:

“Nós estamos aqui, bem aguinhadinho com os portais de Itacoatiara.”

Ney Nobre responde:

“É… quero saber se tem mais alguma coisa pra saber. Não sei mais de nada.”

O apoiador pergunta:

“Deve alguma coisa pra esse portal?”

“Não devo nada”, responde o vereador.

O homem segue:

“Também não devo, não. Diz que amanhã vão estar em peso na Câmara.”

O vereador retruca:

“Eu quero ver.”

O homem diz:

“Vou estar lá, agendado, esperando eles amanhã.”

E Ney Nobre encerra:

“Com o meu 20.”

O apoiador completa:

“E um oitão.”

O vereador então conclui:

“Então vamos lá. Aguardar.”

As expressões “20” e “oitão” são gírias populares na região para armamento. “20” costuma se referir a revólver calibre 0.20 ou a nomenclaturas locais de armas curtas, enquanto “oitão” é revólver calibre .38, de porte médio. Apesar de o vídeo não confirmar que Ney Nobre estava armado, a menção dessas armas foi interpretada por jornalistas como uma tentativa de intimidação.

O conteúdo gerou repercussão entre profissionais de imprensa de Itacoatiara, que consideraram as falas uma tentativa de intimidação e afirmaram que devem denunciar o caso às autoridades.

O episódio ocorre em meio à reação do vereador à repercussão de sua condenação pela Justiça Federal, que motivou o pedido de cassação arquivado pela Câmara na semana passada.

Ney Nobre foi condenado a 10 anos, 4 meses e 13 dias de prisão em regime fechado por fraude em oito contratos do Pronaf, entre 2012 e 2013, em Itacoatiara. Segundo a Justiça Federal, ele usou “laranjas” e lavouras fictícias para desviar R$ 374 mil de financiamentos agrícolas do Banco da Amazônia (BASA).

O juiz que assinou a sentença destacou que Ney Nobre foi o mentor e principal beneficiário das fraudes, causando grave prejuízo ao banco. A decisão também prevê multa, restituição dos valores e comunicação ao TRE-AM, o que pode suspender seus direitos políticos.

Em nota, Ney Nobre afirmou que recebeu a condenação com surpresa, que confia na Justiça e acredita que provará sua inocência.

Até a última atualização desta reportagem, o vereador não havia se manifestado sobre o vídeo nem sobre a repercussão recente do caso.

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